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Terra de índio – Programa Perfil (Rádio Unesp FM), 13 de abril de 2015

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Entrevista de Marta Amoroso, autora do livro Terra de índio – imagens em aldeamentos do Império, ao jornalista Oscar D’Ambrosio, apresentador do programa Perfil.

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Terra de índio – São Paulo Review, 19 de abril de 2015

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Terra de índio

Por Marta Amoroso *

Ficções em frei Timotheo de Castelnuovo

Passemos à crônica de um aldeamento do império, tal como nos é facultado acompanhar por meio de uma das mais expressivas coleções de cartas e relatórios do período, de autoria de um único missionário, f. Timótheo de Castelnovo, que se manteve a frente do aldeamento de São Pedro de Alcântara (Paraná) desde 1855 até a sua morte na sede da missão do Tibagi em 1895.

A narrativa missionária constitui um raro registro das ideias e práticas de um frade capuchinho ocupando o cargo de diretor em um aldeamento indígena. Dos manuscritos detém-se uma interpretação do papel da missão capuchinha junto aos índios que apresenta um novo viés ao enfoque do período apreendido dos registros ministeriais e da legislação indigenista.

Na interpretação do missionário os aldeamentos indígenas deveriam ser compreendidos em um quadro mais geral das políticas públicas de povoamento do país. Em tal contexto, a catequese dos índios não passaria de um pretexto do governo que visava outros objetivos que não os índios.

Dizia o missionário que os frades italianos eram colocados no sertão para cumprirem a função de estimular o colono nacional ou estrangeiro a se assentar e cultivar as terras devolutas do sertão ocupadas pelos índios. Anuindo com este entendimento do governo sobre a centralidade da assistência religiosa no povoamento do sertão, reforçava Frei Timotheo de Castelnovo: “O que afinal é um povo sem sacerdote?”.

Entretanto, firmava, restava uma compreensão sobre o lugar das populações indígenas nos planos de povoamento e consequentemente sobre a missão de catequese, já que a catequese dos índios parecia figurar como uma ação secundária das políticas voltadas para colonos nacionais e estrangeiros. Neste sentido, o programa de Catequese e Civilização do governo do Império, sob o qual atuava o missionário, figurava como um exemplo de dissimulação e falsidade da política secular.

Em São Pedro de Alcântara, a relação que o missionário estabeleceu com os Kaingang e Guarani era identifica por ele como sendo paternal, os índios eram considerados seus filhos e o missionário confirmava a reciprocidade do vínculo assinalando com alguma frequência que recebia dos Kaingang e Guarani o tratamento de Panderé e Cheramoin, relação paternal que propiciava ao missionário, por sua vez, refúgio das falsidades das sociedades civilizadas. Tal como um pai que colhe resultados depois de anos de dedicação aos filhos, dizia, com os índios o resultado era ainda maior, já que estar-se-ia sempre a salvo da falsidade da civilização.

Uma mentalidade renunciante se revelava por trás do projeto missionário de f. Timotheo de Castelnuovo. Viver com os índios adquiriu ao longo de sua trajetória o sentido da rejeição à ficção da civilização, em nome de uma existência pautada pelo convívio com os “filhos das florestas”, expressão da humanidade autêntica.

Para a modelagem da missão capuchinha entre os selvagens no século XIX, não faltavam modelos na tradição franciscana. (…) O tema da diversidade dos povos nas inscrições franciscanas nos leva às missões evangélicas empreendidas por São Francisco no período que vai de 1 111 a 1 212, no contexto das Santas Cruzadas.

As missões das quais o santo participou se iniciaram na Península Itálica, indo em direção a Portugal e a Península Ibérica e por fim chegando à Terra Santa. Em Assis, colhendo os resultados das primeiras missões dos frades franciscanos, São Francisco teve a visão de homens das diferentes raças – e é este o conceito utilizado no início do século XX por J. Joergensen, naturalista e grande historiador da vida e obra de S. Francisco – lhe pareciam chegar de toda parte à capelinha da Porciúncula. (Joergensen 1958: 179).

No Tibagi do Paraná, as obras de construção do aldeamento de São Pedro de Alcântara se iniciaram em março de 1855 com a derrubada da mata, mas aguardou-se o dia 2 de agosto do mesmo ano para a inauguração do aldeamento (Arthur Martins Franco 1936: 205).

A escolha da data nos remete à lenda da capela da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, em Assis, Itália, plena de significados para os franciscanos. A cerimônia de inauguração do aldeamento foi realizada na capela improvisada na residência do missionário, dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, contando “com a competente oração e acabou-se a festa com algum entretenimento e distribuição para os índios”. (…) Em momentos de crise no aldeamento a imagem de N. S. dos Anjos foi mais de uma vez mobilizada, como veremos nos episódios dos conflitos envolvendo os Kaingang e nas epidemias que assolaram as aldeias Guarani-Kaiowá.

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O trecho acima faz parte do livro Terra de índio – Imagens dos aldeamentos indígenas do Império, da pesquisadora e professora de antropologia Marta Amoroso. O livro foi lançado recentemente pela editora Terceiro Nome.

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Terra de índio – USP / Eventos, 23 de março de 2015

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Docente da FFLCH lança livro sobre demarcação de terras indígenas

No dia 23 de março, às 19 horas, a Livraria Martins Fontes promoverá noite de autógrafos do livro Terra de Índio – Imagens em Aldeamentos do Império, da pesquisadora Marta Amoroso, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Nesta obra que compõe a coleção Antropologia Hoje, a pesquisadora analisa as políticas indigenistas seculares e seu impacto na demarcação das terras indígenas. Além disso, situa o leitor em dois movimentos. Em um primeiro momento, logo depois da chegada da Família Real ao país e da Abertura dos Portos às nações amigas, em 1808, acompanha-se as expedições dos artistas e naturalistas que percorreram trechos bastante intactos da Mata Atlântica, que acolhiam – e acolhem ainda hoje – povos falantes das línguas Jê e Guarani.

O evento acontece na Livraria Martins Fontes, com entrada gratuita e aberta ao público geral.

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Terra de índio – PPGAS/USP, 16 de março de 2014

Terra de índio - CONVITE LANÇAMENTO

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Terra de índio – Agência USP de Notícias, 20 de março de 2015

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Demarcação de terras indígenas

No dia 23 de março, às 19 horas, a Livraria Martins Fontes promoverá noite de autógrafos do livro Terra de Índio – Imagens em Aldeamentos do Império, da pesquisadora Marta Amoroso, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Nesta obra que compõe a coleção Antropologia Hoje, a pesquisadora analisa as políticas indigenistas seculares e seu impacto na demarcação das terras indígenas. Além disso, situa o leitor em dois movimentos. Em um primeiro momento, logo depois da chegada da Família Real ao país e da Abertura dos Portos às nações amigas, em 1808, acompanha-se as expedições dos artistas e naturalistas que percorreram trechos bastante intactos da Mata Atlântica, que acolhiam – e acolhem ainda hoje – povos falantes das línguas Jê e Guarani.

O evento acontece na Livraria Martins Fontes, com entrada gratuita e aberta ao público geral, na Av. Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo

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Terra de índio – Comunicação / FFLCH, 23 de março de 2015

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Lançamento do livro Terra de índio: imagens em aldeamentos do império

A autora, Profa. Dra. Marta Amoroso, a Editora Terceiro Nome e a Livraria Martins Fontes convidam para o lançamento do livro Terra de Índio: Imagens em Aldeamentos do Império.
Nesta obra que compõe a coleção Antropologia Hoje, a pesquisadora Marta Amoroso analisa as políticas indigenistas seculares e seu impacto na demarcação das terras indígenas.
A noite de autógrafos acontece nesta segunda-feira, 23 de março, às 19 horas, na Livraria Martins Fontes
SEG | 23.03.2015 | das 19 às 21h30 | convite
Livraria Martins Fontes. Avenida Paulista, 509, Cerqueira César, São Paulo
Em Terra de Índio, a pesquisadora Marta Amoroso reflete sobre as políticas indigenistas praticadas no país a partir do século 19
O século 19 quis transformar o índio no pobre do Brasil. Esse é o ponto de partida do livro Terra de Índio – Imagens em Aldeamentos do Império, da antropóloga Marta Amoroso. A autora situa o leitor em dois movimentos. Em um primeiro momento, logo depois da chegada da Família Real ao país e da Abertura dos Portos às nações amigas, em 1808, acompanha-se as expedições dos artistas e naturalistas que percorreram trechos bastante intactos da Mata Atlântica, que acolhiam – e acolhem ainda hoje – povos falantes das línguas Jê e Guarani.
Em um segundo momento, retrata a criação em 1845 dos Aldeamentos de Catequese e Civilização dos Índios, concebidos para territorializar e sedentarizar os índios, mas também para acomodar colonos nacionais e estrangeiros recém chegados no Brasil.
“Os índios impõem o peito de bronze ao homem branco”, afirmava um missionário capuchinho italiano, que morou grande parte de sua vida em um desses aldeamentos, de onde registrou a distância que os Guarani e os Kaingang mantinham da sede da missão. A abordagem desse estudo focaliza assim as dinâmicas deflagradas nos aldeamentos do Império. O período constitui para a história dos índios uma instigante descontinuidade na serie de registros da ação missionária cristã: antecede a elaboração da Lei de Terras, em 1850, institui para os índios um regime pautado pela tutela do Estado e por uma nova definição de seu território. Em meio a uma política indigenista paradoxal em sua formulação, de grande impacto na atualidade da questão territorial relativa aos povos indígenas, os aldeamentos do Império revelam também as formas indígenas de organização daquele espaço.
Marta Amoroso é professora de Antropologia e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP). Seus trabalhos focam dois temas centrais: as territorialidades indígenas em aldeamentos missionários e natureza e sociedade na Amazônia Central. Desde a década de 1990 desenvolve pesquisas junto aos Mura da Terra Indígena Cunhã-Sapucaia (rio Madeira, Amazônia). Com Gilton Mendes dos Santos é organizadora da coletânea Paisagens Ameríndias – lugares circuitos e modos de vida na Amazônia (Terceiro Nome, 2013).
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