O Capa-Branca – Saúde! Brasileiros – 6 de dezembro de 2016

Daniel Navarro Sonim, autor do livro O Capa-Branca (Ed. Terceiro Nome), escrito em parceria com Walter Farias, um ex-atendente de enfermagem que se tornou paciente do Juquery, revela uma visão contrária. “De fato, devemos estar atentos no âmbito privado, porque ainda existem muitas clínicas particulares que operam como se fossem verdadeiros manicômios. Algumas cobram verdadeiras fortunas e mantêm pacientes encarcerados em condições degradantes, um verdadeiro retrocesso tanto para a Luta Antimanicomial como para a reforma psiquiátrica”, diz o escritor. Mas reafirma que, se a internação fosse a melhor solução, o Juquery, em Franco da Rocha (SP) ainda estaria em pleno funcionamento e não em processo de desativação com pouco mais de 130 pacientes – muito diferente dos 18 mil que chegou a abrigar nos anos 1970.

Ao contar a história de Farias, o livro de Sonim mostra que o antigo modelo manicomial, seguido não apenas pelo Juquery, mas por muitas outras instituições espalhadas pelo Brasil, está falido há muito tempo, pois trancar e aplicar tratamentos desumanos e cruéis não é uma alternativa viável. “Ao ingressarem nesses instituições, os indivíduos perdiam suas identidades e esperanças. Suas aflições se transformavam em agonia e desespero, já que muitos deles nunca mais saiam com vida desses verdadeiros depósitos de gente excluída”, diz Sonim.

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Daniel Navarro e Walter Farias (à dir.) que de funcionário se tornou paciente do Juquery e depois contou a experiência em livro.

Para o escritor, saber que o último leito de hospital psiquiátrico foi fechado na cidade de São Paulo, tornando-a, assim, livre de manicômios, representa uma importante conquista para os profissionais da Saúde Mental e, claro, para a sociedade civil como um todo. Nas palestras que ministra com Farias em universidades, escolas, hospitais e CAPS por todo o Brasil, Navarro conta que a dupla ouve e presencia a realidade de trabalhadores da Saúde Mental que, apesar de todas as dificuldades acreditam que o confinamento não é a solução. “Mas é importante ressaltar que as redes de atenção psicossocial dos outros municípios devem estar preparadas para atender os pacientes. E a própria Rede de Atenção Psicossocial da cidade São Paulo tem que continuar se fortalecendo. As pessoas com problemas psiquiátricos, psicológicos ou mentais precisam reconstruir os vínculos com a sociedade e com a família”, afirma.

Leia também O Manicômio Manda Lembranças, artigo de Daniel Navarro Sonim sobre a realidade abordada em seu livro.

E leia aqui a matéria na íntegra.

Confira aqui mais informações sobre o livro

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