Arquivo do mês: dezembro 2016

Imagem-Violência – A Louca dos Filmes, 13 de setembro de 2016

Eu li: Imagem-Violência – Etnografia de um cinema provocador

“Imagem violência : caracterizado pelo duplo caráter da relação entre imagem e violência . filmes que apresentam imagens da violência e imagens violentas que causam.

Quando entrei na livraria e vi esse livro tive certeza na hora que queria leva-lo. Eu sou apaixonada por cinema e por qualquer área de estudo da sociedade,então ver os dois combinados é praticamente um paraíso rsrs

Esse livro foi desenvolvido através de uma pesquisa de mestrado em antropologia visual defendida na USP em 1999 feita pela Professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo Rose Satiko Gitirana Hikiji .O livro é uma versão revisada da dissertação 13 anos depois da sua conclusão.

Não vou me adentrar muito na explicação da parte de antropologia,mas se alguém tiver interesse realmente recomendo o livro,ele traz pontos interessantes da relação cinema x cultura e sociedade.

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Os filmes e a violência

Rose começa o livro fazendo um paralelo entre o cinema e a mimética, para isso volta a fotografia, antes de falar da cinematografia.

“A magia da fotografia reside na capacidade mimética que desperta o desejo de encontrar o real na reprodução, de reconhecer na imagem a si mesmo ou ao outro”.

Esse caminho do culto a exposição nos leva ao duplo, uma realidade diferente da imagem, ele não é a reprodução de uma coisa real, mas um símbolo,um mito,uma reprodução da realidade através da imaginação.

Ou seja nos buscamos sempre uma associação com o que estamos vendo, seja do que realmente somos ou do que gostaríamos de ser.

É o que fala o sociólogo Edgar  Morin “o encanto da imagem, a exaltação de coisas cotidianas e banais se dá graças a realidade afetiva percebida na tela”

Como não podemos participar da ação,nos buscamos uma semelhança para nos tornamos aquela realidade, como se ao nos encontrarmos na historia,nos libertamos dos limites e podemos tomar aquela realidade como nossa. Criando nosso duplo.

Rose Também traça um paralelo entre o cinema atual e o nascimento da poesia,principalmente a tragédia. Ela afirma que o homem vendo a tragédia passa por um mecanismo de catarse, ele que ver a tragédia,mas ao sentir piedade ou horror purifica-se desses mesmos sentimentos.

Essa introdução,que vai ser explorado mais a fundo antropologicamente serve de base para entendermos como o público se relaciona com as produções cinematográficas e porque busca a violência.

Então no  capitulo 6 as analises começam ,Rose fala primeiro de filmes como Pulp Fiction( 1994), Cães de Aluguel( 1992) e Fargo (1996) levanto dois pontos:

o primeiro é  que Tarantino e os Irmãos Coen usam a violência para criticar a violência e a banalização dela,misturando as cenas violentas com cômicas, nos pegamos rindo quando outra ação brutal começa,isso causa um desconforto,como para dizer “ porque estamos aqui confortáveis com essa situação tão absurda?”

E com elementos cotidianos,como discutir sobre a musica da Madona ou nome de lanches antes de um crime, reforça essa ideia que estamos acostumados com a violência.

Tarantino quebra a estrutura de violência justificável –  “ o mocinho e o bandido. O mocinho sofre a violência e depois é permitido a ele usar da mesma para se vingar” – quando coloca personagens que usam da violência como trabalho e a ironiza quando a maioria de suas mortes acontecem por acidente.

O Segundo ponto é sobre o porque rimos dessas situações,” rir do que se tem medo”,quando olhamos para a fragilidade do corpo e das ações violentas rimos para nos libertarmos do medo que temos dessa realidade ( esse ponto foi feito a partir de uma analogia com o artigo “De Que Riem os Índios” de Pierre Clastres)

Gostei muito da seleção de filmes não norte americanos, Funny Games, Morte ao Vivo (se assemelha ao close up) e Retrato de um Assassino reforçam a ideia do voyeurismo,nós participamos dos crimes e gostamos do que estamos vendo, queremos mais.

Além disso quebram a ideia do crime justificável- igual Tarantino faz mas de uma outra maneira, a morte aqui também é banalizada,mas nos próprios personagens há um não motivo para causar mal ao outro,eles simplesmente matam,torturam e causam terror psicológicos em suas vitimas,pelo prazer do sofrimento alheio.

Dessa lista assisti apenas Funny Games e é incrível a construção de quebra da quarta parede que o diretor faz,nós estamos de verdade participando daquilo,”ajudando” os torturadores,porque assistimos a tudo impassíveis e desejamos mais  e em alguma das falas um deles deixa a entender que aquilo que eles estão fazendo só é possivel porque alguém está se entretendo com isso.

(spoiler)

Outro ponto é quando a mulher que está sendo torturada mata um de seus torturados,nós ficamos alegres,desejávamos essa morte,é uma “violência justificável” mas então a cena volta e a morte não acontece,como se para sacudir nossos ombros e dizer ” ei  não devemos apreciar a violência seja ela qual for”.

Eu adorei o livro, com certeza irei reler (e também porque são tantas coisas discutidas que é sempre bom refletir mais né).

“ a violência é matéria prima dos filmes porque no limite é “ boa para pensar” ,aponta as fronteiras fracamente demarcadas entre a morte e a vida,real e imaginário, o que tememos ser e o que somos.”

Leia aqui o post originalmente publicado no blog A Louca dos Filmes

E veja aqui mais informações sobre o livro

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O rei Sol e seus súditos – Revista Pré-Univesp – nº. 61, dezembro 2016

ENTREVISTA COM A ASTROFÍSICA SUELI VIEGAS

Pré-Univesp: Quais foram as principais motivações e inspirações para lançar a coleção Jogo do Universo?

Sueli Viegas: Eu queria escrever um texto sobre divulgação de astronomia, contar a história da origem do universo. Não pensei em um público com idade específica, mas em produzir um texto com linguagem simples em um texto informativo e leve. No caso do primeiro volume, “No início tempos”, 2009, as ilustrações complementam o texto de forma bastante harmoniosa, foi um grande desafio porque tratava-se de representações de algo bastante abstrato. Eu dividi o projeto em quatro partes, pensando episódios separados. O primeiro livro aborda o início do universo até a formação das primeiras partículas. Depois, no livro “Entre estrelas e galáxias”, as partículas se juntam para formar as galáxias. No terceiro livro “Um passeio pela Via Láctea”, eu abordo a formação da Via Láctea e, finalmente, no último livro chego no Sistema Solar. Para isso eu usei a figura do próton, uma partícula inicial, que conta sua própria história.

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Pré-Univesp: Como foi a recepção da coleção Jogo do Universo?

Sueli Viegas: O primeiro livro foi finalista do Prêmio Jabuti de 2010 na categoria paradidáticos. Nos fascículos seguintes a editora teve problemas para divulgar o livro, o que comprometeu as vendas. Temos essa dificuldade no Brasil, que é ainda maior no caso de livros de divulgação de ciência, de fazer uma conexão com as escolas, alunos e professores.

Leia aqui a entrevista na íntegra

E veja aqui mais informações sobre a coleção Jogo do Universo e seus quatro volumes: No início dos tempos, Entre estrelas e galáxias, Um passeio pela Via Láctea e O rei Sol e seus súditos

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O Capa-Branca – Saúde! Brasileiros – 6 de dezembro de 2016

Daniel Navarro Sonim, autor do livro O Capa-Branca (Ed. Terceiro Nome), escrito em parceria com Walter Farias, um ex-atendente de enfermagem que se tornou paciente do Juquery, revela uma visão contrária. “De fato, devemos estar atentos no âmbito privado, porque ainda existem muitas clínicas particulares que operam como se fossem verdadeiros manicômios. Algumas cobram verdadeiras fortunas e mantêm pacientes encarcerados em condições degradantes, um verdadeiro retrocesso tanto para a Luta Antimanicomial como para a reforma psiquiátrica”, diz o escritor. Mas reafirma que, se a internação fosse a melhor solução, o Juquery, em Franco da Rocha (SP) ainda estaria em pleno funcionamento e não em processo de desativação com pouco mais de 130 pacientes – muito diferente dos 18 mil que chegou a abrigar nos anos 1970.

Ao contar a história de Farias, o livro de Sonim mostra que o antigo modelo manicomial, seguido não apenas pelo Juquery, mas por muitas outras instituições espalhadas pelo Brasil, está falido há muito tempo, pois trancar e aplicar tratamentos desumanos e cruéis não é uma alternativa viável. “Ao ingressarem nesses instituições, os indivíduos perdiam suas identidades e esperanças. Suas aflições se transformavam em agonia e desespero, já que muitos deles nunca mais saiam com vida desses verdadeiros depósitos de gente excluída”, diz Sonim.

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Daniel Navarro e Walter Farias (à dir.) que de funcionário se tornou paciente do Juquery e depois contou a experiência em livro.

Para o escritor, saber que o último leito de hospital psiquiátrico foi fechado na cidade de São Paulo, tornando-a, assim, livre de manicômios, representa uma importante conquista para os profissionais da Saúde Mental e, claro, para a sociedade civil como um todo. Nas palestras que ministra com Farias em universidades, escolas, hospitais e CAPS por todo o Brasil, Navarro conta que a dupla ouve e presencia a realidade de trabalhadores da Saúde Mental que, apesar de todas as dificuldades acreditam que o confinamento não é a solução. “Mas é importante ressaltar que as redes de atenção psicossocial dos outros municípios devem estar preparadas para atender os pacientes. E a própria Rede de Atenção Psicossocial da cidade São Paulo tem que continuar se fortalecendo. As pessoas com problemas psiquiátricos, psicológicos ou mentais precisam reconstruir os vínculos com a sociedade e com a família”, afirma.

Leia também O Manicômio Manda Lembranças, artigo de Daniel Navarro Sonim sobre a realidade abordada em seu livro.

E leia aqui a matéria na íntegra.

Confira aqui mais informações sobre o livro

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