A mão livre do vovô e Vilanova Artigas – Avosidade, 25 de julho de 2015

Laura-Artigas

O reencontro de Laura com o avô João

●  Entrevista com Laura Artigas

►  Fazer um documentário sobre o arquiteto Vilanova Artigas foi a forma de Laura Artigas conhecer melhor o avô, com quem conviveu por apenas quatro anos: “Tomei emprestadas as falas dos entrevistados para sentir como era estar com ele”. Lançado este ano, o filme comemora o centenário do arquiteto, assim como um livro com os desenhos que ele faziapara os netos.

Quando a família de João Batista Vilanova Artigas vendeu o velho escritório do arquiteto, falecido em 1985, a cineasta e roteirista Laura Artigas viu chegar na casa dos pais todo o arquivo do avô, homem que conheceu mais pelas histórias da família do que pela convivência. A papelada foi estalo para um projeto de documentário sobre o criador do Estádio do Morumbi, do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da USP, e do edifício Loureira, em São Paulo, entre outros.

A ideia era resgatar o conjunto da obra de um ícone da arquitetura, mas também revelar um sujeito que se divertia fazendo singelos desenhos para os netos. O filme Vilanova Artigas: O arquiteto da luz, de Laura Artigas e Pedro Gorski, foi lançado em junho como parte das homenagens ao centenário do arquiteto, cuja comemoração conta também com exposição, site e livros. “Em tudo tentamos mostrar não só o profissional importante para a arquitetura, mas todas as facetas dele. Queríamos mostrar uma pessoa real”, diz Laura. “Ele tinha um espírito de menino”, ela define.

Cobras, trens e elefantes

Para a cidade, o arquiteto imaginava estruturas pesadas que mal tocam o chão e construções que são extensão da paisagem urbana. Para as crianças, fazia aparecer no papel cobras, trens, elefantes. Tudo isso Laura descobriu por meio das lembranças dos primos mais velhos, da mãe, dos amigos do avô, e de um calhamaço de desenhos que ele fazia para os netos, encontrado no seu escritório. As imagens deram origem ao livro infantil A Mão Livre do Vovô, também lançado este ano, pela Editora Terceiro Nome.

Para seu filme, que em breve estará à venda na loja do iTunes, a cineasta visitou obras do avô acompanhada por pessoas que as utilizam no dia a dia, como moradia ou local de trabalho ou estudo, e colheu depoimentos de gente relacionada com sua trajetória. “Os entrevistados dão relatos afetuosos sobre ele. De certa forma, peguei emprestadas as sensações deles para entender como era estar com meu avô”, diz. E reflete: “Nunca vou saber como é ter um avô, mas agora talvez esta seja uma lacuna bem resolvida”.

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Para ver: Vilanova Artigas: O arquiteto e a luz, filme de Laura Artigas e Pedro Gorski (2015).

Para ler: A Mão Livre do Vovô, de Michel Gorski e Sílvia Zatz (Terceiro Nome, 2015)

Para ir: Ocupação Vilanova Artigas, exposição no Itaú Cultural, em São Paulo.

Exposição Vilanova Artigas: A mão livre do vovô, na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

Quando a família de João Batista Vilanova Artigas vendeu o velho escritório do arquiteto, falecido em 1985, a cineasta e roteirista Laura Artigas viu chegar na casa dos pais todo o arquivo do avô, homem que conheceu mais pelas histórias da família do que pela convivência. A papelada foi estalo para um projeto de documentário sobre o criador do Estádio do Morumbi, do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da USP, e do edifício Loureira, em São Paulo, entre outros.

A ideia era resgatar o conjunto da obra de um ícone da arquitetura, mas também revelar um sujeito que se divertia fazendo singelos desenhos para os netos. O filme Vilanova Artigas: O arquiteto da luz, de Laura Artigas e Pedro Gorski, foi lançado em junho como parte das homenagens ao centenário do arquiteto, cuja comemoração conta também com exposição, site e livros. “Em tudo tentamos mostrar não só o profissional importante para a arquitetura, mas todas as facetas dele. Queríamos mostrar uma pessoa real”, diz Laura. “Ele tinha um espírito de menino”, ela define.

Cobras, trens e elefantes

Para a cidade, o arquiteto imaginava estruturas pesadas que mal tocam o chão e construções que são extensão da paisagem urbana. Para as crianças, fazia aparecer no papel cobras, trens, elefantes. Tudo isso Laura descobriu por meio das lembranças dos primos mais velhos, da mãe, dos amigos do avô, e de um calhamaço de desenhos que ele fazia para os netos, encontrado no seu escritório. As imagens deram origem ao livro infantil A Mão Livre do Vovô, também lançado este ano, pela Editora Terceiro Nome.

Para seu filme, que em breve estará à venda na loja do iTunes, a cineasta visitou obras do avô acompanhada por pessoas que as utilizam no dia a dia, como moradia ou local de trabalho ou estudo, e colheu depoimentos de gente relacionada com sua trajetória. “Os entrevistados dão relatos afetuosos sobre ele. De certa forma, peguei emprestadas as sensações deles para entender como era estar com meu avô”, diz. E reflete: “Nunca vou saber como é ter um avô, mas agora talvez esta seja uma lacuna bem resolvida”.

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Para ver: Vilanova Artigas: O arquiteto e a luz, filme de Laura Artigas e Pedro Gorski (2015).

Para ler: A Mão Livre do Vovô, de Michel Gorski e Sílvia Zatz (Terceiro Nome, 2015)

Para ir: Ocupação Vilanova Artigas, exposição no Itaú Cultural, em São Paulo.

Exposição Vilanova Artigas: A mão livre do vovô, na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

Não sei como é ter um avô

“Como eu não tive avô, no começo do processo eu pesquisei muito pra tentar sentir o que é ter um avô. Eu achei num sebo um livro que chama “Histórias de Avôs e Netos” e são continhos sobre avós e sobre netos que é para começar a entender. Vi alguns filmes, o mais bonitinho é a Fantástica Fábrica de Chocolate. O personagem leva o avô para conhecer a fábrica e tem uma relação muito legal com ele. Comecei a tentar sentir. E o filme vai muito por esse lado, as pessoas lembrando de maneira bem afetuosa a relação com o Artigas e de certa forma acho que por a interlocutora ter sido eu eles puderam ficar mais relaxados nessa questão de demonstrar afeto. Então, de certa forma, eu tomei emprestadas as sensações dos entrevistados do filme para tentar também sentir o que era estar com ele, conviver com ele. Foi uma experiência muito legal. Óbvio, eu nunca vou saber o que é ter um avô, porque meu outro avô, paterno, faleceu quando eu tinha nem um ano. Eu sempre tive essa lacuna… Sempre vou ter essa lacuna na minha vida. Mas acho que com o filme talvez ela fique, digamos, bem resolvida. Mas ela sempre vai existir, eu nunca vou saber o que é ter um avô. Acho que com o filme talvez eu tenha me aproximado um pouco dele, fiz uma homenagem pra ele.”

Espírito de menino

“Minha prima Manu acabou me contando umas histórias divertidas sobre meu avô, contou que ele gostava muito de fogos de artifício e inclusive ele dava na mão das crianças, minha vó ficava louca. Ele era uma pessoa de certa forma inconsequente e era muito criança. Ele era com esse espírito de menino, sabe? De querer sempre aprender, sempre descobrir as coisas, de estar sempre criando alguma coisa… Sendo arquiteto, ele sempre estava em casa desenhando. Por exemplo, ele fez uma máquina de queijo, ele fazia móbiles. Ele ficava desenhando, brincando, rabiscando papel, então ele tinha uma mente inquieta. Isso para um moleque é muito legal, né? Seu avô é tanto brincalhão quanto você quando é criança. Você aproveita bem. Ela contou também que ele ficava muito irritado vendo futebol, que ele esmurrava a mesa, na Copa de 82, que ele ficou muito bravo quando o Brasil estava perdendo. Pois é, o 7×1 deve ter matado muitos avôs.”

Ô vô, desenha um “lelefante”?

“Tem uns desenhos de aviãozinho, uma cobrinha… A Manu, minha prima, conta que a gente, menina, pedia mais bichos e os meninos pediam mais máquinas, etc. Aqui tem um tatuzinho, um trem… Ele adorava trem, né? Porque ele veio de uma época que tinha essa coisa da ferrovia. Esse aqui é um elefante, que a minha mãe falou que foi encomenda minha. Que eu falava ‘ô, vô, desenha um ‘lelefante’”.

Documentário liga passado e presente

“É um documentário que tem duas linhas narrativas. Tem a da biografia mesmo, em que os amigos, as pessoas que foram entrevistadas, quase na sua totalidade, conviveram com o Artigas de uma maneira ou outra. Acho que só um, que é arquiteto, é estudioso da obra dele. O resto é só gente que conviveu com ele. Essas pessoas eu chamo de narradores do filme. Minha mãe foi o fio condutor, a principal narradora. Também tem o Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake e Pedro Paulo de Melo Saraiva, arquitetos que também conviveram com ele. A segunda linha narrativa seria a do presente, em que a gente visita seis obras do Artigas na companhia de usuários das obras. No Estádio do Morumbi, entrevistamos o Raí e ele mostra o percurso de um jogador, enquanto um torcedor mostra o percurso de um torcedor no estádio. Na FAU são dois alunos, na rodoviária de Jaú a gente chamou o mestre de obras que construiu a coluna, que é bem emblemática lá. Na casinha (a edícula da casa do avô), é meu irmão que fala, explica o projeto. Então tentamos fazer esse diálogo entre o passado e o presente.”

Confira aqui a entrevista na íntegra e assista aos vídeos com Laura Artigas

E veja aqui mais informações sobre o livro

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