Vilanova Artigas e A mão livre do vovô – Constance Zahn Blog, 6 de julho de 2015

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100 ANOS CONVIVENDO COM ARTIGAS

O mestre da arquitetura, o responsável por projetar o estádio do Morumbi, ou o militante político da ditadura: para você, quem é João Batista Vilanova Artigas? No ano em que ele completaria 100 anos, uma agenda cultural promete homenagear e apresentar estas e outras diversas facetas do arquiteto. E a primeira delas, a exposição “Ocupação Vilanova Artigas”, no Itaú Cultural, em São Paulo, não poderia ter outra função, que não desvendar o lado humano de Artigas, que morreu em 1985.

“Nossa intenção é desmitificar esse endeusamento do Artigas e dizer que ele foi, antes de qualquer coisa, uma pessoa que viveu intensamente o seu tempo”, define Laura Artigas, neta e uma das responsáveis pelo material produzido.

A roteirista, que conversou com exclusividade com a gente, era muito nova quando perdeu o avô, apenas quatro anos, mas diante do legado deixado e das histórias dos almoços de família, conseguiu construir a imagem necessária para este e para o segundo projeto, o documentário “Vilanova Artigas: O Arquiteto da Luz”. “Sempre o achei engraçado e ousado, mas descobri ao longo do filme um artista na melhor forma, daqueles que nunca queria se repetir e sentia uma necessidade de sempre executar seus sonhos. Diferente da nossa geração, meu avó sempre foi uma pessoa que colocou em prática as coisas.”

E ainda não acabou. Dois livros estão sendo lançados para fechar o ciclo. “A mão livre do vovô” traz os desenhos que Artigas fazia pra divertir os netos; e Vilanova Artigas reúne fotos do neto Marco Forti Artigas dos prédios projetados pelo arquiteto.

E é assim, cheio de bons encontros de amigos, familiares e admiradores que 2015 traz, meio que sem querer, o ensinamento número um de Artigas: a convivência. Veja abaixo o bate-papo com Laura e relembre algumas obras e particularidades dele.

Como vocês chegaram aos 43 trabalhos expostos?

A curadoria da exposição é da minha mãe, Rosa Artigas, com o arquiteto Alvaro Razuk. O material que está lá é de duas fontes. A primeira é o arquivo pessoal do Artigas, que está sob os cuidados da minha família, mais especificamente no apartamento da minha mãe. Já os projetos e materiais didáticos são parte do acervo doado para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP há alguns anos.

Quais critérios foram levados em conta?

Nossa ideia era mostrar um lado mais intimista e humano dele. Desmitificar esse endeusamento do Artigas. Como somos da família, temos um privilégio de conhece-lo no dia a dia, então escolhemos obras importantes para nós. Nossa intenção é dizer que o Artigas foi, antes de qualquer coisa, uma pessoa que viveu intensamente o seu tempo.

Se você pudesse definir os 100 anos do Artigas, como seria?

Acho que 100 anos bem vividos. Em todos os momentos, inclusive os de exílio durante a ditadura, ele sempre conversou com o meio que estava, sempre se preocupou com o entorno. O Artigas acreditava que só a convivência salvava as pessoas, por isso seus projetos sempre valorizavam as salas grandes, as janelas enormes e a luz natural, uma forma de obrigar as pessoas a ficarem juntas.

Como foi seu contato com seu avô? Você chegou a conhecê-lo?

Não me lembro dele. Quando morreu, tinha quatro anos, então a imagem que tenho dele é das histórias que escutei.

Durante o processo de produção do filme e da exposição, o que mudou no seu entendimento de quem era seu avô?

Acho que mudar não mudou, mas acrescentou. Sempre o achei engraçado e ousado, mas me surpreendi com as histórias que vi e ouvi durante a produção. Descobri ao longo do filme um artista na melhor forma, daqueles que nunca queria se repetir e  que sentia uma necessidade de sempre executar seus sonhos. Diferente da nossa geração, meu avó sempre foi uma pessoa que colocou em prática as coisas.

Que história mais te surpreendeu?

São várias, mas uma engraçada é a da paixão dele por fogos de artifícios. Minha prima conta que o Artigas dava rojões para os netos de seis anos, o que deixava minha avó louca. Isso é uma coisa que ninguém tem ideia e que o filme traz. É esse Artigas que queremos mostrar com tudo isso.

Se o Artigas estivesse vivo hoje, qual você acha que seria a maior crítica dele?

Tendo em vista que ele sempre viveu intensamente o seu tempo, acho que uma das críticas sociais que ele teria, seria com relação a escravidão dos homens com os carros. Essa necessidade que temos de ter sempre um carro para tudo. Já profissional, se considerarmos seus últimos projetos, acredito que ele seria um radical em questões como acessibilidade, respeito ao meio ambiente e sustentabilidade. Se você parar para ver, ele sempre se preocupou com rampas, com luz natural e ventilação cruzada, itens que fazem muita diferença na arquitetura.

Veja aqui a matéria publicada no Constance Zahn Blog

E confira aqui mais informações sobre o livro Vilanova Artigas e aqui sobre o livro A mão livre do vovô

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