Vilanova Artigas e A mão livre do vovô – Jornal Nacional (TV Globo), 30 de maio de 2015

rosa

O arquiteto Vilanova Artigas fez uma revolução na paisagem de São Paulo, nos anos 40, 50 e 60. Ele faria cem anos no dia 23 do mês que vem. E ainda hoje a obra dele é revolucionária.

O prédio não tem portas. O jardim é particular, mas parece ser a continuação da praça da frente. “O prédio é aberto e é seguro. Muito seguro”, afirma um homem.

Era pra ser assim mesmo: uma mistura do público com o privado. Até dentro do apartamento.

“Eu vivo na árvore, no meio de São Paulo. Acho que o urbano e a natureza integrado é o que me faz ser muito feliz aqui, muito feliz”, afirma Fabiana Zanin, diretora de arte.

O edifício Louveira, de 1946, é uma das obras mais conhecidas de João Batista Vilanova Artigas.

“Tem muro aqui? Não tem muro. É uma atitude de convivência e de pluralidade. Esse é o pensamento somado a uma série de outras coisas, somada à técnica. Mas é um pensamento íntegro. Não é separado”, comenta José Armênio, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP.

Artigas foi um dos arquitetos modernistas mais importantes do país e é considerado o fundador da chamada Escola Paulista de Arquitetura – marcada pela valorização da estrutura, como o uso do concreto aparente nas construções. Também é dele o projeto do Estádio do Morumbi.

Vilanova Artigas definiu a nova proposta de ensino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a Universidade de São Paulo, baseada no desenvolvimento do projeto e do desenho.
Artigas também foi um dos projetistas do prédio da arquitetura.

Do lado de fora, a estrutura tem aparência bruta, efeito do concreto. Mas ao entrar, a gente se depara com um salão imenso, com todos os espaços se comunicando. Esse prédio foi construído com essa intenção, a de estimular a convivência e incentivar a troca de conhecimento.

“As próprias rampas também, quando você está circulando aqui, você está subindo ela como uma circulação, mas se você quiser, você para, conversa nelas, se você ficar parado aqui uns 10 minutos, você vai ver que as pessoas ficam lá, conversam, ficam olhando o espaço, se envolvem com os acontecimentos que têm aqui no salão caramelo de vez em quando”, diz Marco Artigas, arquiteto e neto de Artigas.

“O prédio tem tudo a ver com o ensino da FAU. Tem pouca sala de aula, dos estúdios serem coisas liberadas, de você ter um intercâmbio entre os anos, eu acho fenomenal estudar aqui”, afirma a estudante Marina Mota.

“Tem vários locais que não têm nem grade, então eles são exatamente pra você enxergar todo o resto sem ter nenhuma barreira, pra você poder conversar com todo o seu entorno”, comenta o estudante Tiago Tibério.

E conversar sobre tudo era uma coisa que Artigas gostava de fazer.

“Ele era muito aberto em relação às conversas, às leituras, cultura, a gente tinha uma vivência muito grande do ponto de vista do conhecimento, da cultura, das coisas dentro de casa. Ele era um professor”, conta Rosa Artigas, historiadora e filha de Artigas.

Se estivesse vivo, Vilanova Artigas completaria cem anos em 2015. Pra comemorar a data, a família do arquiteto prepara uma série de lançamentos: dois livros, um site e um documentário.

“A gente quis dar uma humanizada um pouco, mostrar o lado mais humano do Artigas e também mostrar um lado que é super legal pra todo mundo, que é o processo criativo dele. A paixão dele era criar. Eu acho que mais do que ser arquiteto, mais do que ser qualquer outra, mais que ter uma função, um rótulo, arquiteto, professor, ele era um grande criador”, diz Laura Artigas, diretora do documentária e neta de Artigas.

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