De Anita ao Museu – O Liberal (Belém/PA), 16 de março de 2015

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Novas luzes sobre a arte moderna

Livro “De Anita ao Museu” é relançado após amargar esquecimento

Exceto por especialistas, o livro De Anita ao Museu, do escritor, crítico e advogado Paulo Mendes de Almeida (1905-1986), lançado originalmente em 1961 pelo Conselho Estadual de Cultura, estava, há tempos, esquecido. “Refere-se exclusivamente à evolução da arte moderna em São Paulo”, definiu o autor no prefácio da primeira edição da obra, realizada, na época, pela reunião de artigos publicados por ele entre 1958 e 1959 no Suplemento Literário do jornal O Estado de S.Paulo. “É o testemunho vivo de um tempo”, diz a historiadora e crítica Aracy Amaral sobre o mérito maior dos escritos considerados, desde então, parte de uma historiografia “não acadêmica” do modernismo e que agora saem em novo volume pela Editora Terceiro Nome.

Recorrendo à memória, Paulo Mendes de Almeida repassa, nos textos, episódios fundamentais de um período e destaca importantes interlocutores da cena artística paulista desde o impacto da exposição de Anita Malfatti em dezembro de 1917 até os desdobramentos da realização da 1ª Bienal de São Paulo de 1951. De algumas passagens, o crítico e escritor foi o observador, de outras, o participante ativo, como nos bailes da Sociedade Pró-Arte Moderna (Spam), nas reuniões do Clube de Artistas Modernos (CAM) e na história do Museu de Arte Moderna (MAM).

“Sempre usei muito o livro do Paulo como referência, mas ninguém mais o conhece, o que é muito triste”, afirma Ana Luisa Martins, que conheceu o crítico com proximidade. “Ele era engraçado, rápido, irônico, grande imitador, pessoa extremamente afetiva”, rememora a filha do jornalista Luís Martins e coordenadora editorial da nova publicação da obra, cujo lançamento está marcado para sábado, dia 21, às 11 horas, na Pinacoteca do Estado. Na ocasião, De Anita ao Museu será tema de uma mesa-redonda aberta ao público com a participação de Ana Luisa, dos curadores historiadores Tadeu Chiarelli e Regina Teixeira de Barros, e de Thiago Gil, responsável pela pesquisa iconográfica.

É importante destacar que se trata, na verdade, da terceira edição do livro. Em 1976, a editora Perspectiva, por sugestão de Aracy Amaral, já havia relançado De Anita ao Museu em versão ampliada, acrescida de textos dos anos 1960 (a maior parte deles também publicada no Suplemento do Estado) – a diagramação do volume foi feita pelo pintor Arcangelo Ianelli, grande amigo do autor, e por João Kon. Entretanto, há anos a obra estava restrita aos sebos. A atual edição vem, assim, a possibilitar que estudiosos e interessados, de uma forma geral, tenham acesso a um título referencial. Fruto de minucioso trabalho, De Anita ao Museu ganha, agora, reprodução ampliada de imagens de obras e exposições citadas nos textos – todas elas, em cor -, e apresenta novos retratos e documentos históricos. “O livro traz uma relação com a cidade de São Paulo e privilegiamos acervos públicos para que os leitores possam visitá-los”, conta Gil. Mais ainda, vale citar a apresentação de cuidadosas notas e legendas que contextualizam os artigos, além da realização, em parceria com a Fundação Dorina Nowill, de versão em audiolivro.

Confira aqui a matéria na íntegra

E veja aqui mais informações sobre o livro

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