Arquivo do mês: junho 2014

Cadeias dominadas – Fundação Maurício Grabois, 24 de junho de 2014


Cadeias dominadas: A Fundação CASA, suas dinâmicas e as trajetórias de jovens internos

Após a leitura do livro, a mim não resta dúvida de que a redução da maioridade penal, de fato, já há algum tempo foi colocada em prática pelo estado de São Paulo.

Taniele Rui

Em 2005, Berenice Gianella foi escolhida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nova presidente da então Febem. Seu currículo instigava: graduada e mestre em Direito Penal pela USP, ela havia sido corregedora-geral do Sistema Penitenciário do Estado e secretária-adjunta da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

O anúncio de que ela continuaria os trabalhos desenvolvidos nos presídios adultos agora no sistema de medidas socioeducativas para adolescentes1 veio antes das principais mudanças de nomenclatura, ordenação e metodologia pelas quais passaria tal instituição em 2006, quando foi renomeada Fundação Casa.

O livro de Fábio Mallart revela, com astúcia, que esse processo de simetria entre as instituições prisionais para adultos e as unidades de internação para adolescentes, equacionado pelo governo, aconteceu; e foi à revelia dos propósitos dos defensores de direitos.

O que se passou internamente a tais muros institucionais reflete o deliberado aumento da repressão a esses meninos por agentes do Estado. Mas reflete também o que ocorre fora dessas unidades, nas periferias e presídios paulistas, onde se constata a sintonia do enunciado PCC (Primeiro Comando da Capital) como ordenador de condutas, práticas e moralidades.

Por meio de uma escrita meticulosa, que percorre trajetórias de internos de diferentes momentos dessa história institucional (que remonta ainda à ditadura civil-militar e à criação da Funabem), Cadeias dominadas é contribuição obrigatória para o entendimento de um jogo em que governo e crime se coproduzem mutuamente (Feltran),2 sintetizado numa das mais pungentes imagens mobilizadas por Mallart: enquanto “homens do choque” andam sobre o telhado, adolescentes tocam o cotidianodessas cadeias.

Após a leitura do livro, a mim não resta dúvida de que a redução da maioridade penal, de fato, já há algum tempo foi colocada em prática pelo estado de São Paulo.

Taniele Rui é Antropóloga, professora do curso de Psicossociologia da Juventude e Políticas da Fesp-SP e pós-doutoranda do Social Science Research Council (EUA)

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Gente Livre – João de Pina-Cabral blog


Free folk

Personhood and Consideration in Bahia (NE Brazil)

Book presentation

This is an essay about the ways of life of the people who inhabit one of the most charming regions of Brazil: the vast coastal mangroves to the South of the Bay of All Saints (Bahia). Based on ethnographic fieldwork (2004-2011), the book is a response to the stories that Bahians tell about themselves, but it is structured by anthropological analysis. It examines the modes of personal constitution of that part of the population of Bahia who call themselves “the weak folk” (gente fraca), and who Brazilian social scientists refer to as “low income” (baixa renda).

Our narrative model and inspiration was the long and distinguished tradition of essay writing through which modern Brazilians have attempted to make sense of themselves: Euclides da Cunha, Oliveira Viana, Nina Rodrigues, Gilberto Freyre, Caio Prado Jr., Buarque de Holanda, DaMatta, etc., etc. This essay is our homage to that mode of self-analysis that has produced one of the world’s liveliest social science traditions. On the other hand, anthropology has recently witnessed a renewed interest in kinship studies the main focus of which is a concern with the singular person as the ground of sociality and, in particular, the process through which each one of us produces him or herself as person (Sahlins). In this book, we seek to give ethnographic substance to that anti-intellectualist vision and, at the same time, to show how it can cast light onto some of the most intractable problems that have haunted Brazilian modernity.
We begin by debating a trope that pervades Bahian discourses about their own lives: ‘consideration’ (consideração), a concept that Bahians repeatedly use to describe the essential quality that gives truth to personal relations. Another unavoidable trope is criação (the raising/nurturing of children), that is, the process of consolidation of foundational solidarities that launches each one’s personal history as a social being (one’s ontogenesis – cf. C. Toren). As the narrative unfolds, we present a series of case studies in order to explore the modes of operation of these early solidarities: in personhood, in household formation, in the creation of vicinages, in processes of local indebtedness. Finally, we are led to debate two tropes that emerged unexpectedly from our field notes: firstly, conjugality and its temporal lag with the fertility cycle; secondly, the uncertain ownership of land (posse, not property) and its relation with local notions of personhood.

As we wrote the last chapters of the essay, we came to realize that perhaps the central value that structures this people’s worldview is their preoccupation with safeguarding personal freedom: they stubbornly insist on being “free folk” (gente livre). One can only understand this constant watchfulness if one acknowledges the actual imminence of violence, dehumanizing exploitation, and servitude in their contemporary world.

In Bahia, constitutive (benevolent) domination and dehumanizing (destructive) domination confront one another without ever being very distant from each other; the present never gets rid of the past in a dynamic of preterity (that is, past relations are immanent in present life). On the one hand, it has to be noted, we did not find in today’s Bahia the lively feeling of revolt that is described, for example, by João José Reis, when he studied the recently enslaved African residents of nineteenth century Bahia. But, on the other hand, the fact that the active memory of that anger is no longer present does not mean that the echoes of captivity simply vanished. Today’s Bahia still navigates the muted waves of the dehumanizing past that constituted it. Only a stubborn respect for the right to be different and a generous will to overcome easy polarizations of identity will eventually help to soften the scar. The clearer headed among our informants spoke to us about this with a humanity and practical wisdom that often deeply moved us.

In broad terms, the Bahia that we came to know and love over the past decade was a reasonably prosperous land, where one could witness a visible diminution of poverty; a place where the “weak folk” (os fracos) where prone to feel that their lives had turned out to be less difficult than they had foreseen. Moreover, it was a country where the process of democratization that characterises recent Brazilian politics had freed many people from the servile bonds of a traumatic past. This having been said, however, it remained a dangerous environment, where a past of extreme oppression had not simply vanished into thin air, manifesting itself in what on the surface appeared to be random, pointless brutality. In short, inside the small gestures that make up the daily life of each of us and that bind us to the habits of sociality, there emerged every so often traces of destruction that challenged the integrity of personhood. The chains of determination that link the past of violence to the more democratic present are so complex that when pastness challenges one’s present personhood it surfaces as unreason. The randomness and meaninglessness of what Brazilians call “criminality” — its pathological nature — is, in fact, an obsessively reiterated theme of all Brazilian media.

João started fieldwork around Valença in the Baixo Sul in 2004 in order to study processes of personal naming; in 2009, the project inflected towards a study of territoriality and Vanda joined it because of her interest in the topic. The two ethnographic visits that followed were particularly intense: João’s familiarity with the local space and its inhabitants combined with Vanda’s deep familiarity with Brazilian society and her remarkable ethnographic flair. A good part of the essay was drafted during the long and creative evenings in which, back at home in Valença, we debated our daytime encounters with our friends and acquaintances in the mangrove. The book, of course, is a mark of Bahian friendships and is written with heartfelt gratitude for their generosity and their infectious capacity to enjoy life’s better moments.

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Gente Livre – CAMPOS – Revista de Antropologia Social, volume 13, nº 2


Parentesco, noção de pessoa e relação são algumas categorias fundamentais  à antropologia. Em “Gente Livre: consideração e pessoa no Baixo Sul da Bahia”, João de Pina-Cabral e Vanda Aparecida da Silva as apresentam a partir de uma rica pesquisa etnográfica realizada em cerca de dez anos (entre 2000 e 2010), na Costa do Dendê, sul do estado baiano. A pesquisa de campo com classes populares dialoga com temas centrais da antropologia feita no Brasil, mostrando a atualidade de perspectivas sobre família e circulação de crianças (como, por exemplo, na obra de Claudia Fonseca), aliança (em Eduardo Viveiros de Castro), campesinato e terra (em autores como Otávio Velho e Klass Woortmann). Igualmente, o livro provoca o leitor a retomar e oxigenar olhares clássicos e consagrados sobre a interpretação do Brasil, como as obras de Gilberto Freyre e de Antonio Candido (como Pina-Cabral já fizera antes, a partir do trabalho de Roberto da Matta, em A pessoa e o dilema brasileiro, artigo publicado na revista Novos Estudos em 2007).

A multiplicidade destes temas se articula na escrita na igual medida em que aparecem encadeados nas histórias de sujeitos, homens e mulheres, interlocutores da pesquisa. São suas experiências e narrativas que indicam o caminho para a compreensão de uma concepção de pessoa marcada pela partibilidade e pela singularidade, que tem como central a importância da criação (de crianças) e da “consideração”. Para destrançar a complexidade presente nestas vidas e existências, os autores nos apresentam seus interlocutores em experiências ordinárias e, por isso mesmo, cheias de densidade e afetos.

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Jogo, ritual e teatro – ConJur, 23 de setembro de 2013


O Tribunal do Júri como espaço para reflexões sociais

Depois de acompanhar centenas de julgamentos, de ter se debruçado sobre o perfil de réus e vítimas, testemunhas e jurados, e analisar como fatos do cotidiano são transformados em imagens e narrativas pela acusação e pela defesa, a pesquisadora Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer reuniu elementos suficientes para desvendar como funciona, na prática, o Tribunal do Júri no Brasil. Foram anos em pesquisas, agora condensadas em Jogo, Ritual e Teatro — Um Estudo Antropológico do Tribunal do Júri, publicado pela Editora Terceiro Nome, livro que estreita os limites e atua na interface entre áreas poucas vezes analisadas em conjunto.

Graduada em Ciências Sociais e em Direito, com mestrado e doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, onde dá aulas e coordena o Núcleo de Antropologia do Direito, Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer vê o tribunal do júri no Brasil como um espaço privilegiado para uma profunda reflexão social, por atuar sobre crimes que mexem com valores arraigados na sociedade. “Quando esses valores são violados, é normal que todos pensem sobre o que fariam numa situação com aquela”, justifica, ao reforçar a tese de que condenações ou absolvições decorrentes do julgamento transcendem acusados e dizem respeito a cada um de nós.

Para ela, mais do que o fato particular, o que está em julgamento pelos sete jurados são questões cotidianas presentes na vida social e que tratam de acontecimentos que poderiam envolver qualquer pessoa, dentro ou fora do grupo. “Cada crime é um motivo para discutir os valores para os quais ele aponta e cada fato em si é um estopim para o julgamento de algo mais amplo”, afirma. Ao descrever o Tribunal do Júri como um “círculo mágico”, ela observa que “no espaço lúdico e teatralizado das sessões de Júri, mais do que encenações de acontecimentos passados, são criadas histórias e personagens que dão sentido à vida social presente”.

O livro teve origem na tese de doutorado em antropologia defendida por ela na Universidade de São Paulo. A principal conclusão do trabalho é que os julgamentos pelo Tribunal do Júri baseiam-se na manipulação de imagens relativas a dois poderes fundamentais em todo e qualquer grupo social: o de um indivíduo matar outro e o de instituições sociais controlarem tal faculdade individual. “O que está em jogo e em cena, no Júri, mais do que a vida e a morte de indivíduos, é a própria sobrevivência do grupo”, afirma. “Dependendo de como as mortes são textualizadas e contextualizadas, transformadas em imagens e encenadas, o poder individual de matar é considerado socialmente legítimo ou ilegítimo”.

Tratar o júri como um teatro não significa menosprezo ou uma posição contrária ao seu funcionamento, enfatiza a pesquisadora.  “É teatro no sentido de que é um espaço privilegiado para percebermos os valores que ali são encenados, enfatizados e colocados em discussão”, afirma. “Tem um placo e uma plateia, os protagonistas estão claramente identificados e neste espaço cênico estão em jogo argumentos que competem pela adesão dos jurados”, reforça. No livro, ela chama a atenção para a existência de um sistema de persuasão performática que reafirma valores, mas também propicia questionamentos e mudanças em regras morais, sociais e econômicas. “Cada sessão de Júri é um teste desse mundo das regras, ao qual a cultura é submetida e através do qual ela submete os envolvidos”.

No início do ano, arrolada pela defesa, Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer participou do julgamento de Gil Rugai, um ex-seminarista, acusado e condenado a 33 anos de prisão pela morte do pai e da madrasta, em 2004. Com o seu depoimento, a defesa pretendia convencer os jurados de que o réu não era “a pessoa estranha e sem emoções”, de acordo com o perfil construído pela mídia, a partir das “provas” reunidas pela polícia e pela promotoria. “A coleta de provas é uma questão de seletividade”, disse a pesquisadora, chamando a atenção para o risco de “se construir narrativas pautadas em estereótipos e em valores sociais subjetivos”. Indagada pela acusação se havia lido as mais de 5.000 páginas do processo, respondeu que não, mas que tinha a certeza de que os jurados também não leram e que iriam decidir com base nas “interpretações” oferecidas pela acusação e pela defesa.

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Dançando com o inimigo – blog Conta uma História, 18 de junho de 2014


Jovem vence o bullying

Livro põe o bullying no devido lugar. Em “ Dançando com o inimigo” , o escritor, jornalista e ator Vinicius Campos mostra como esta prática assustadora pode ser interrompida numa história que retrata o surgimento de uma bela amizade entre dois jovens que vivem em universos completamente opostos. As ilustrações são de Marcelo Masili.

Até começar a ler o mais recente livro lançado pela Editora Terceiro Nome, pensei que teria em mãos mais uma leitura de crítica ao bullying com um personagem maltratado por amigos ou familiares egoístas, mal educados e violentos. Mas fui surpreendida pela maneira que o autor Vinícius Campos conduziu a história que criou a partir de sua experiência pessoal na infância e agora transformou pela maneira amadurecida de encarar a vida.

Há muitas formas de evitar o bullying e até mesmo de não deixar esta prática se concretizar.   As crianças e os adolescentes precisam saber disso, daí a razão de ser do livro em questão “Dançando com o inimigo”. Nesta história, a arte transformou o agressor e o desprendimento poupou a vítima.

Bruno e Xande são garotos da mesma idade que moram na mesma rua e freqüentam a mesma escola. Só que as semelhanças acabam aí. Bruno pratica balé e tem uma família descontraída que vive da arte no dia a dia: cinema, música, dança e todos sabem festejar a vida.   Já Xande, fã de lutas e artes marciais, mora em uma casa que lembra um quartel onde só se ouve ordens e gritos de guerra.

Mas, um dia, o destino dos dois colegas se cruza e provoca a violência. Como conseqüência, Bruno terá que aprender a gostar de si mesmo do jeito que é e Xande descobrirá como respeitar as diferenças. Apesar da aproximação traumática no início, eles acabam se tornando amigos e ingressando no mundo da tolerância.

Embora seja uma ficção, “ Dançando com o inimigo” traz à tona uma realidade ainda muito presente no Brasil e no mundo. “Sofri gozações em uma época em que nem existia a palavra bullying. Então decidi escrever uma história bacana para que menos pessoas sintam na pele esse tipo de brincadeira desagradável e sem sentido”, revela o autor. Ele acredita que pais, educadores e as próprias crianças e adolescentes, ao receberem o livro, possam conversar naturalmente sobre respeito e tolerância.

Vinicius Campos, brasileiro radicado em Buenos Aires desde 2005, tem livros publicados no Brasil e na Argentina. Também faz palestras para jovens e crianças sobre processo criativo literário.

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A Igreja Universal e seus demônios – blog Edgard Luiz XXI, 16 de junho de 2014

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Resenha: ALMEIDA, Ronaldo de. A Igreja Universal e seus demônios. Um estudo etnográfico. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2009. p. 59-98

No entendimento do campo religioso brasileiro dentro do quadro (neo) pentecostalismo, o trabalho do antropólogo Ronaldo de Almeida desponta em trazer análises marcantes a partir de sua pesquisa em torno da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), in loco a sede de São Paulo localizada no bairro do Braz. Com isso, Almeida nos diz que a IURD obedecendo a dinâmica estrutural da expansão do pentecostalismo foi formada a partir da dissidência de outras igrejas, tendo em vista que sua genealogia é fruto de uma complicada ramificação que envolve os nomes em destaque do auto-intitulado bispo, Macedo, o auto-intitulado apóstolo, Valdomiro Santiago, e o auto-intitulado missionário, R. R. Soares, entre outros nomes; assim destaca Almeida.

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Cadeias dominadas – SPRESSO SP, 16 de junho de 2014


Fundação Casa: “O encarceramento em massa favoreceu a expansão e consolidação do PCC”

Afirmação é do antropólogo Fábio Mallart, que acaba de lançar o livro “Cadeias dominadas”, onde conta a história da instituição, aponta a forte presença do PCC dentro das unidades e reconhece a tortura como parte da “história institucional” do sistema socioeducativo

Por Igor Carvalho

No momento em que discute os rumos da Fundação Casa, que terá suas unidades terceirizadas, após aprovação de Projeto de Lei Complementar que entrega a administração da instituição às Organizações Sociais, o antropólogo Fábio Mallart lança o livro “Cadeias dominadas”, questionando a estrutura da ex-FEBEM e contando a história de um ambiente que se tornou um “campo de batalha.”

Na publicação, Mallart conta a história da instituição, até os dias atuais, já como Fundação Casa e narra sua experiência de cinco anos como educador dentro das unidades. O antropólogo mostra como os internos já estão conectados com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e, também, reproduzindo o mesmo comportamento e estruturando as mesmas relações do que os adultos fazem dentro das penitenciárias.

“Alguns jovens – também chamados de disciplinas – se dividem em uma série de postos hierárquicos, a saber, setor, faxina, encarregado e piloto. Vale notar que essas posições também operam no sistema prisional adulto, o que mais uma vez evidencia a simetria existente entre o universo carcerário e o sistema socioeducativo”, afirma Mallart.

O antropólogo também aponta, baseado em sua experiência, a violência física aplicada contra os internos. “Que as torturas e os espancamentos fazem parte da história institucional, me parece que não resta nenhuma dúvida. As unidades de internação, de fato, podem ser consideradas como verdadeiros campos de batalha, nos quais se processam disputas violentas – por vezes sangrentas – lutas silenciosas e tensões cotidianas.”

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