Zo’é – Folha PE (Recife), 8 de maio de 2014

Imagem

Exposição “Zo’é” mostra um reencontro após 20 anos no Centro Capibaribe da Imagem

Fotógrafo Rogério Assis registra dois momentos distintos da tribo indígena do Pará

Em 1989, o paraense Rogério Assis foi o primeiro fotógrafo a captar momentos do povo indígena Zo’é, que vive na Amazônia, na região que compreende os rios Cuminapanema, Erepecuru e Urucuriana, no Pará. Naquele ano, o artista havia conseguido extrair beleza de um cenário devastador: muitos Zo’és haviam sido vitimados por uma epidemia de gripe, espalhada entre eles por um grupo de missionários norte-americanos que conviveu algum tempo com a etnia. Em 2009, o fotógrafo retornou ao local e se deparou com um cenário mais bonançoso: a população havia crescido e estava mais saudável – e vacinada contra a gripe.

Os registros desses dois encontros, separados no tempo por 20 anos, dão corpo à exposição “Zo’é”, que estreia nesta quinta (8) no Capibaribe Centro da Imagem, na Rua da Aurora. Na ocasião, Rogério Assis também lança na Cidade o livro homônimo, publicado em 2009 pela editora Terceiro Nome. Tanto a obra quanto a exposição consistem em fotografias em preto e branco, com registros preciosos de costumes, afetos, moradias e rituais empreendidos pela etnia, além da relação tão sagrada quanto cotidiana com a natureza. Além das imagens, o livro conta com um relato do próprio fotógrafo, em que ele se debruça sobre a experiência do encontro e o envolvimento social com os Zo’és.

Na época do primeiro registro, Rogério estava trabalhando em um documentário para a Fundação Nacional do Índio (Funai), mas sem ligação com a etnia. No período em que o filme estava sendo rodado, a Funai recebeu um pedido de socorro em razão de uma epidemia de gripe que assolava a tribo recém-descoberta. O ano era 1989 e, antes daquele encontro com os missionários, os últimos contatos dos Zo’és com forasteiros ainda datavam do século 19, com os exploradores das “drogas dos sertões”, e do início do século 20, com gateiros e castanheiros. O fotógrafo acompanhou a equipe que partiu para socorrer os necessitados e registrou o encontro inusitado.

Assis relatou que a tribo foi pacífica nas duas oportunidades em que esteve no local. Na segunda vez, em 2009 – visita que é o fio condutor da exposição -, ele passou três semanas entre os nativos. Esse período é marcado pela intervenção positiva da Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema, mantida pela Funai, que ajuda a preservar e isolar a terra indígena com fins de proteção. Segundo ele, houve um estranhamento maior na primeira vez, mas os Zo’és sempre foram receptivos e hospitaleiros.

Com a escolha do preto e branco, Rogério ativa os contrastes que residem nas várias camadas de técnica e sensibilidade que formam seu trabalho. Num belo resultado plástico, o autor cria uma narrativa que detalha e amplifica a rica maneira como os Zo’é se organizam como sociedade.

BIOGRAFIA – Rogério Assis é natural de Belém, no Pará, mas atualmente fixa residência em São Paulo.

CURRÍCULO – Assis já fez parte de grandes jornais e é um dos criadores do portal Fotosite, referência em fotografia.

Confira aqui a matéria na íntegra

E veja aqui mais informações sobre o livro

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Zo'é

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s